segunda-feira, 13 de julho de 2009

Som do bumba

Quando ando de ônibus costumo colecionar histórias. Já vi pessoas utilizando os minutos perdidos para se maquiar, outros pregando uma ‘peça’ no chefe ao dizer que estão em determinado ponto do caminho e estão em outro, entre tantos outros exemplos.
Atualmente, com os celulares ultra-mega-power, temos que nos render ao gosto musical do dono, que pode estar em sua casa, no carro ou até...no ônibus. Isso porque o proprietário do pequeno aparelho não se lembra do acessório fundamental para a função de rádio – o fone de ouvido.
Por isso, enquanto faço meu trajeto até o Terminal Rodoviário da Barra Funda, sou (e tantas outras pessoas também) obrigada a ouvir de pagode a pop. Na maior tranquilidade, o casal com um pequeno filho conversa ao meu lado, ouve sua música preferida e olha ao redor sem se dar conta de que todos ali estão sendo obrigados a aturar seu estilo musical, como se estivessem no quintal de sua casa.
Infelizmente, esses são acontecimentos típicos da vida pós-moderna.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Viva a diferença

Que lugares com uma grande concentração de pessoas reúnem os mais variado estereótipos, sabemos. Mas nunca havia reparado na variedade de tipos dentro de uma academia de ginástica.
Tem aquele ‘bombadão’, que não se exercita, conversa aqui e ali. Dá até para ficar na dúvida de como adquiriu os músculos que exibe. Tem a sacoleira, que se faz de amiga de todos – potenciais clientes e consumidores de seus macaquinhos ‘ultramodernos’. Sem falar no tiozão e na tiazona, que ao melhor estilo BBB se exercitam, dão beijinhos, papeiam.
E como não falar das modeletes? Só chegam à academia com roupa e tênis de ‘marca’. São do tipo que chega com carrão, com mochila nova e com vários itens de higiente pessoal para um ‘banhinho rápido’.
E tem aqueles transparentes. Que chegam à academia felizes e contentes por saírem do sedentarismo. Se fizerem amizade, ótimo. Mas se entrarem mudos e saírem calados, também estará de bom tamanho. Afinal, vão à academia quase que com roupa de dormir, apenas pelo prazer de se exercitar.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Silas

Todos os meses participo de um trabalho voluntário que entrega lanches para moradores de rua, além de levarmos um pouco de atenção a essas pessoas. A primeira ‘entrega’ (como chamamos) deste ano ocorreu no início de fevereiro.
A cada mês aprendo uma lição. Essa foi especial. Um morador de rua, sozinho, chamado Silas, tocou meu coração. O que ele queria era muito mais do que um lanche, do que uma palavra. Ele queria um trabalho. Em poucos minutos, contou sua história. Era confeiteiro, trabalhou em Campinas. Lá deixou um filho de 17 anos e sua mãe já idosa.
Como muitos, veio para São Paulo na esperança de um futuro melhor. Quem dera eu pudesse fazer mais coisas do que entregar um lanche e ouvir aquele que à minha frente chorava por trabalho.
No meio da conversa, disse que estava vindo da Igreja Nossa Senhora da Salete pedir emprego. E pediu: rezem por mim.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Minutos que salvam

Curioso é que só me dei conta disso ao ver um assalto que nem pareceu real. Saindo de uma reunião no centro da cidade na noite de uma pacata terça-feira, ouço, ao lado de um grande amigo e ainda dentro do prédio de onde estávamos saindo, gritos de um homem. Apenas a frase ‘vou pegar a faca’ fica perceptível para mim. Na seqüência, vejo um garoto andando apressadamente juntar-se a um menino de bicicleta que estava próximo a outro que poderia ser apenas mais um pedestre.
O triste é saber que aqueles três formavam um grupo de assaltantes, que o senhor que gritava realmente tinha sido assaltado e que minha conversa e de meu amigo só voltou à normalidade minutos depois, quando nos demos conta do ocorrido, quando percebemos a impotência do ser humano (nós, no caso) em ajudar o próximo. O que faríamos ali?
Não sabíamos inicialmente se era o caso de um assalto. Além disso, não fazíamos idéia se havia arma nas mãos de algum deles. E o mais triste é que não encontramos nenhum policial na região para que pudéssemos pedir ajuda.
Naquele momento, percebemos que nossos anjos trabalharam muito porque, durante alguns minutos, diante da ausência do porteiro, meu amigo e eu tentamos descobrir uma maneira de sair do prédio. A mensagem de que deveríamos demorar um pouco mais chegou em cima da hora, mas foi suficiente.