quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Boa música para os ouvidos

Todos os dias, ao seguir para o trabalho, utilizo o metrô como meio de transporte. Já é sabido que o metrô de São Paulo, há algum tempo, apresenta opções de cultura para os passageiros.
Já há alguns meses, em algumas estações, um piano fica à disposição de quem souber e quiser demonstrar um pouco dos dotes artísticos nesse instrumento criado por Bartolomeo Cristofori.
O meu dia se transforma quando há alguém sentado ali, no banco daquele piano da estação Santana do metrô.
Há os mais jovens, os mais experientes, os desencanados, os engravatados. Tem de tudo. Em sua maioria, vejo homens tocando. Na última quinta-feira, fiquei impressionada com um jovem que lindamente tocava uma canção de Roberto Carlos.
É nesse momento que gostaria que o dia parasse para contemplar a boa música para meus ouvidos. Mas tenho que seguir em frente, acreditando que no dia seguinte, um outro talento estará lá para me alegrar mais uma vez.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Difícil decisão

Assisti pela primeira vez ontem ao programa The Phone - a missão.
Como sou adepta de programas de competição, achei interessante.
É uma série de provas que uma dupla que não se conhece deve cumprir em até 3 horas.
O mais interessante e motivo pelo qual escrevo, foi a decisão final. A última prova passa a ser individual e os parceiros, concorrentes. Quem ganha, leva o prêmio de até R$ 30 mil.
O competidor vencedor de ontem teve que decidir se iria dividir o prêmio com a 'parceira' ou se levaria o montante inteiro para casa.
Meu pensamento: com certeza, ele vai dividir. Mas a mulher realmente não tinha colaborado em muita coisa. O cara tinha feito quase todas as provas sozinho.
Mas realmente é uma difícil decisão. Como saber se ele iria melhor ou pior sem a parceira?
A decisão do ganhador foi ficar com o prêmio, sem dividir. E justificou bem: 'desculpe, mas achei que fiz quase todas as provas sozinho'.
Fiquei orgulhosa do ganhador. Ele ponderou bem sua decisão.
Fica a lição para mim e talvez para muitos.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Já pensou?


Diariamente somos cutucados para intervir na vida alheia. E a partir daí o ciclo se inicia.
É um querendo cuidar cada vez mais da vida do outro.
Na adolescência, era a tia que você via uma vez ao ano que queria atualizar as informações de todos os seus ex-namorados (e olha que dependendo do ano ela teria que ter paciência para ouvir todas as histórias).
Já na fase do trabalho, é aquela pessoa que mal te cumprimenta que ao ouvir uma história interessante entre duas ou mais pessoas, faz questão de se intrometer. Mas quem disse que ela havia sido convidada para aquela conversa?
Não estou aqui me referindo aos pais, irmãos, amigos e parentes mais próximos. Refiro-me àqueles que cismam em acreditar numa amizade forçada, do tipo ‘poxa, quanto tempo não nos encontramos. Passa lá em casa dia desses para a gente atualizar a vida’.
E são muitas as “Eunices” (personagem da Débora Evelyn na novela Insensato Coração), com a diferença que a da novela quer ‘apenas’ uma melhor posição social. Essas, da nossa vida cotidiana, querem sei lá o que, forjar uma falsa proximidade.
Quando não está casada, perguntam quando vai casar. Quando está casada, perguntam quando vem o primeiro filho, depois o terceiro e assim por diante.
Ninguém para pra pensar que ao perguntarem coisas desse tipo, sem a mínima intimidade, querem até fazer parte de nossa vida sexual. Quando as pessoas vão aprender que a vida moderna tem dessas coisas, que casamento arranjado não existe, que casa quem quer, que tem filho que quer e pode, que separa quem não está mais a fim do cônjuge. E assim a vida segue. Não será o depoimento dessa pessoa que questiona que facilitará ou complicará a vida de ninguém. Não mesmo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A dor de uma perda

Não é fácil perder pessoas que amamos
Embora presentes em nossa memória e vivos no coração
A dor é grande
Não é fácil deixar de ter a convivência com pessoas tão queridas
Com o tempo sabemos que a dor passa, ficam as boas lembranças
Mas esse momento é penoso
O conforto da família, dos amigos
É de extrema importância
Agradeço a todos que estiveram comigo nos momentos em que mais precisei
Minha amiga querida, aguenta firme que estou chegando

terça-feira, 10 de maio de 2011

Educação

Lenine (e creio que Arnaldo Antunes), autores da música 'Rua da Passagem' dizem:
"Os curiosos atrapalham o trânsito/ Gentileza é fundamental/ Não adianta esquentar a cabeça/
Não precisa avançar no sinal/ Dando seta pra mudar de pista/ Ou pra entrar na transversal/
Pisca alerta pra encostar na guia/ Pára brisa para o temporal
Já buzinou, espere, não insista,/ Desencoste o seu do meu metal/ Devagar pra contemplar a vista
Menos peso do pé no pedal/ Não se deve atropelar um cachorro/ Nem qualquer outro animal/ Todo mundo tem direito à vida/ Todo mundo tem direito igual (...)
Tanto faz você chegar primeiro/ O primeiro foi seu ancestral/ É melhor você chegar inteiro
Com seu venoso e seu arterial (...)"
Gentileza é realmente fundamental. Mas na correria de todos os dias o que mais vemos é a falta dela.
As ruas são o maior exemplo disso. Tudo o que vi hoje:
Garoto ultrapassa grávida para entrar primeiro no ônibus.
Pessoas sem necessidades especiais sentadas em bancos 'coloridos' sem dar o lugar para quem de direito poderia estar ali sentado.
Ônibus, carro e moto atravessam sinal vermelho.
Pessoa em carro de luxo joga papel pela janela.
Além de gritaria, estresse e muita falta de educação.
Se não cuidarmos, difícil dizer para onde vamos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

‘Seu’ Amaro

A chegada ao trabalho é sempre uma delícia. Estar dentro de um parque tem suas vantagens.
Hoje, porém, encurtei meu caminho dentro dele. Motivo nobre: ajudar um deficiente visual a chegar ao seu destino.
Encontrei-o no início de minha caminhada, que dura cerca de dez minutos. Seu nome: Amaro. Perfeito para pessoa tão simpática.
Passos tranquilos e com boa conversa, conseguiu transformar meu dia logo pela manhã.
Seu destino seria a Unidade para Reabilitação de Deficientes Visuais (URDV) - http://www.acf1932.org.br/urdv_proposta.php. Aparentava ter entre 70 e 75 anos. O fio condutor de nosso trajeto foi o parque:
‘Já notou que diariamente um galo canta lindamente por volta do meio-dia?’, questionou-me.
‘Não, mas vou reparar’.
Realmente eu nunca havia notado. Mas infelizmente hoje não foi esse dia, talvez porque estava na correria do trabalho, ou apenas porque o galo canta mais alto para as ‘bandas de lá. Independente do motivo, a colocação do sr. Amaro mostrou-me que existem coisas mais belas que ainda posso apreciar.
Os sons estão aí, ao nosso redor. Mas o olhar nos impede que tenhamos a sensibilidade de notá-los.
Já no fim de nosso percurso, contou-me que estava aprendendo braile na URVD, além de outros cursos que lá ensinam, como teclado, violão e informática. Questionei-lhe, então, sobre a dificuldade de aprender o braile.
‘Sábia pergunta’, respondeu-me. E completou: ‘estou há três anos aprendendo. E o mais difícil para mim ainda é a leitura’.
Já estávamos no momento de nossa despedida, quando apenas sugeri que fosse persistente, pois é assim que o aprendizado surge.
Gostaria de ter dito mais. Grande, sr. Amaro, que já na terceira idade conseguiu aprender uma nova linguagem em apenas três anos.

sábado, 7 de maio de 2011

Um bom dia desajeitado

Minha promessa diária é ser cada vez mais paciente.
Mas confesso que a tarefa não é tão simples.
Quando não tenho compromisso agendado, os finais de semana são os dias em que desligo os celulares e deixo família e amigos avisados para me ligarem bem tarde.
Como diz minha prima: '10 da manhã ainda é madrugada para a Mi'.
Ela tem toda razão.
E foi um sábado desses que colecionei uma nova história.
O maridão iria trabalhar cedo. O despertador tocou e não atrapalhou meu sono.
Apenas disse para ele: 'essa é a sua hora'.
Na sequência, ouço o toque de um celular.
Ao mesmo tempo que me reviro na cama para tentar alcançá-lo, ouço meu marido ao telefone. 'Livrei-me dessa'.
Acreditei que teria mais meia hora naquele sábado delicioso.
Mas o destino não quis assim.
A campainha tocou insistentemente.
Percebi que teria de levantar.
O intruso em questão era o cara da TVA. Há mais de dois anos havíamos cancelado o plano e a empresa não havia retirado o aparelho.
Mas depois de uma pequena mudança meses atrás, onde estaria o tal aparelho?
Procurei pela casa, sem sucesso.
Como a casa é pequena, nossos pais ainda estão com muitas de nossas relíquias. O tal equipamento estava na casa de meu vizinho, meu sogro.
Esse trâmite levou mais de 15 minutos.
Nada, comparado aos anos que a TVA deixou de nos procurar e nos cobrou indevidamente.
Pouco depois, lá estava eu, de pijama, recebendo das mãos de meu sogro o pacote com o aparelho.
Ainda mal-humorada, deixei a tarefa da entrega para meu marido, que estava de saída.
Descobri que o início de meu dia não estava completo ao ouvir um novo chamado: 'Micheeeeeeelle', grita meu cunhado pelo muro da casa de meus sogros, com a filha mais nova nos braços - artifício inteligente de quem sabe como me encontraria logo pela manhã.
'Empresta a mangueira para mim?', completou.
Olhei para ele. Respirei fundo.
O 'bom dia' que conseguiu sair de minha boca foi dirigido apenas a pequena sobrinha.
Entreguei a mangueira, entrei em casa e consegui finalmente acordar!