sexta-feira, 24 de junho de 2011

Já pensou?


Diariamente somos cutucados para intervir na vida alheia. E a partir daí o ciclo se inicia.
É um querendo cuidar cada vez mais da vida do outro.
Na adolescência, era a tia que você via uma vez ao ano que queria atualizar as informações de todos os seus ex-namorados (e olha que dependendo do ano ela teria que ter paciência para ouvir todas as histórias).
Já na fase do trabalho, é aquela pessoa que mal te cumprimenta que ao ouvir uma história interessante entre duas ou mais pessoas, faz questão de se intrometer. Mas quem disse que ela havia sido convidada para aquela conversa?
Não estou aqui me referindo aos pais, irmãos, amigos e parentes mais próximos. Refiro-me àqueles que cismam em acreditar numa amizade forçada, do tipo ‘poxa, quanto tempo não nos encontramos. Passa lá em casa dia desses para a gente atualizar a vida’.
E são muitas as “Eunices” (personagem da Débora Evelyn na novela Insensato Coração), com a diferença que a da novela quer ‘apenas’ uma melhor posição social. Essas, da nossa vida cotidiana, querem sei lá o que, forjar uma falsa proximidade.
Quando não está casada, perguntam quando vai casar. Quando está casada, perguntam quando vem o primeiro filho, depois o terceiro e assim por diante.
Ninguém para pra pensar que ao perguntarem coisas desse tipo, sem a mínima intimidade, querem até fazer parte de nossa vida sexual. Quando as pessoas vão aprender que a vida moderna tem dessas coisas, que casamento arranjado não existe, que casa quem quer, que tem filho que quer e pode, que separa quem não está mais a fim do cônjuge. E assim a vida segue. Não será o depoimento dessa pessoa que questiona que facilitará ou complicará a vida de ninguém. Não mesmo.

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