A chegada ao trabalho é sempre uma delícia. Estar dentro de um parque tem suas vantagens.
Hoje, porém, encurtei meu caminho dentro dele. Motivo nobre: ajudar um deficiente visual a chegar ao seu destino.
Encontrei-o no início de minha caminhada, que dura cerca de dez minutos. Seu nome: Amaro. Perfeito para pessoa tão simpática.
Passos tranquilos e com boa conversa, conseguiu transformar meu dia logo pela manhã.
Seu destino seria a Unidade para Reabilitação de Deficientes Visuais (URDV) - http://www.acf1932.org.br/urdv_proposta.php. Aparentava ter entre 70 e 75 anos. O fio condutor de nosso trajeto foi o parque:
‘Já notou que diariamente um galo canta lindamente por volta do meio-dia?’, questionou-me.
‘Não, mas vou reparar’.
Realmente eu nunca havia notado. Mas infelizmente hoje não foi esse dia, talvez porque estava na correria do trabalho, ou apenas porque o galo canta mais alto para as ‘bandas de lá. Independente do motivo, a colocação do sr. Amaro mostrou-me que existem coisas mais belas que ainda posso apreciar.
Os sons estão aí, ao nosso redor. Mas o olhar nos impede que tenhamos a sensibilidade de notá-los.
Já no fim de nosso percurso, contou-me que estava aprendendo braile na URVD, além de outros cursos que lá ensinam, como teclado, violão e informática. Questionei-lhe, então, sobre a dificuldade de aprender o braile.
‘Sábia pergunta’, respondeu-me. E completou: ‘estou há três anos aprendendo. E o mais difícil para mim ainda é a leitura’.
Já estávamos no momento de nossa despedida, quando apenas sugeri que fosse persistente, pois é assim que o aprendizado surge.
Gostaria de ter dito mais. Grande, sr. Amaro, que já na terceira idade conseguiu aprender uma nova linguagem em apenas três anos.
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