segunda-feira, 16 de maio de 2011

A dor de uma perda

Não é fácil perder pessoas que amamos
Embora presentes em nossa memória e vivos no coração
A dor é grande
Não é fácil deixar de ter a convivência com pessoas tão queridas
Com o tempo sabemos que a dor passa, ficam as boas lembranças
Mas esse momento é penoso
O conforto da família, dos amigos
É de extrema importância
Agradeço a todos que estiveram comigo nos momentos em que mais precisei
Minha amiga querida, aguenta firme que estou chegando

terça-feira, 10 de maio de 2011

Educação

Lenine (e creio que Arnaldo Antunes), autores da música 'Rua da Passagem' dizem:
"Os curiosos atrapalham o trânsito/ Gentileza é fundamental/ Não adianta esquentar a cabeça/
Não precisa avançar no sinal/ Dando seta pra mudar de pista/ Ou pra entrar na transversal/
Pisca alerta pra encostar na guia/ Pára brisa para o temporal
Já buzinou, espere, não insista,/ Desencoste o seu do meu metal/ Devagar pra contemplar a vista
Menos peso do pé no pedal/ Não se deve atropelar um cachorro/ Nem qualquer outro animal/ Todo mundo tem direito à vida/ Todo mundo tem direito igual (...)
Tanto faz você chegar primeiro/ O primeiro foi seu ancestral/ É melhor você chegar inteiro
Com seu venoso e seu arterial (...)"
Gentileza é realmente fundamental. Mas na correria de todos os dias o que mais vemos é a falta dela.
As ruas são o maior exemplo disso. Tudo o que vi hoje:
Garoto ultrapassa grávida para entrar primeiro no ônibus.
Pessoas sem necessidades especiais sentadas em bancos 'coloridos' sem dar o lugar para quem de direito poderia estar ali sentado.
Ônibus, carro e moto atravessam sinal vermelho.
Pessoa em carro de luxo joga papel pela janela.
Além de gritaria, estresse e muita falta de educação.
Se não cuidarmos, difícil dizer para onde vamos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

‘Seu’ Amaro

A chegada ao trabalho é sempre uma delícia. Estar dentro de um parque tem suas vantagens.
Hoje, porém, encurtei meu caminho dentro dele. Motivo nobre: ajudar um deficiente visual a chegar ao seu destino.
Encontrei-o no início de minha caminhada, que dura cerca de dez minutos. Seu nome: Amaro. Perfeito para pessoa tão simpática.
Passos tranquilos e com boa conversa, conseguiu transformar meu dia logo pela manhã.
Seu destino seria a Unidade para Reabilitação de Deficientes Visuais (URDV) - http://www.acf1932.org.br/urdv_proposta.php. Aparentava ter entre 70 e 75 anos. O fio condutor de nosso trajeto foi o parque:
‘Já notou que diariamente um galo canta lindamente por volta do meio-dia?’, questionou-me.
‘Não, mas vou reparar’.
Realmente eu nunca havia notado. Mas infelizmente hoje não foi esse dia, talvez porque estava na correria do trabalho, ou apenas porque o galo canta mais alto para as ‘bandas de lá. Independente do motivo, a colocação do sr. Amaro mostrou-me que existem coisas mais belas que ainda posso apreciar.
Os sons estão aí, ao nosso redor. Mas o olhar nos impede que tenhamos a sensibilidade de notá-los.
Já no fim de nosso percurso, contou-me que estava aprendendo braile na URVD, além de outros cursos que lá ensinam, como teclado, violão e informática. Questionei-lhe, então, sobre a dificuldade de aprender o braile.
‘Sábia pergunta’, respondeu-me. E completou: ‘estou há três anos aprendendo. E o mais difícil para mim ainda é a leitura’.
Já estávamos no momento de nossa despedida, quando apenas sugeri que fosse persistente, pois é assim que o aprendizado surge.
Gostaria de ter dito mais. Grande, sr. Amaro, que já na terceira idade conseguiu aprender uma nova linguagem em apenas três anos.

sábado, 7 de maio de 2011

Um bom dia desajeitado

Minha promessa diária é ser cada vez mais paciente.
Mas confesso que a tarefa não é tão simples.
Quando não tenho compromisso agendado, os finais de semana são os dias em que desligo os celulares e deixo família e amigos avisados para me ligarem bem tarde.
Como diz minha prima: '10 da manhã ainda é madrugada para a Mi'.
Ela tem toda razão.
E foi um sábado desses que colecionei uma nova história.
O maridão iria trabalhar cedo. O despertador tocou e não atrapalhou meu sono.
Apenas disse para ele: 'essa é a sua hora'.
Na sequência, ouço o toque de um celular.
Ao mesmo tempo que me reviro na cama para tentar alcançá-lo, ouço meu marido ao telefone. 'Livrei-me dessa'.
Acreditei que teria mais meia hora naquele sábado delicioso.
Mas o destino não quis assim.
A campainha tocou insistentemente.
Percebi que teria de levantar.
O intruso em questão era o cara da TVA. Há mais de dois anos havíamos cancelado o plano e a empresa não havia retirado o aparelho.
Mas depois de uma pequena mudança meses atrás, onde estaria o tal aparelho?
Procurei pela casa, sem sucesso.
Como a casa é pequena, nossos pais ainda estão com muitas de nossas relíquias. O tal equipamento estava na casa de meu vizinho, meu sogro.
Esse trâmite levou mais de 15 minutos.
Nada, comparado aos anos que a TVA deixou de nos procurar e nos cobrou indevidamente.
Pouco depois, lá estava eu, de pijama, recebendo das mãos de meu sogro o pacote com o aparelho.
Ainda mal-humorada, deixei a tarefa da entrega para meu marido, que estava de saída.
Descobri que o início de meu dia não estava completo ao ouvir um novo chamado: 'Micheeeeeeelle', grita meu cunhado pelo muro da casa de meus sogros, com a filha mais nova nos braços - artifício inteligente de quem sabe como me encontraria logo pela manhã.
'Empresta a mangueira para mim?', completou.
Olhei para ele. Respirei fundo.
O 'bom dia' que conseguiu sair de minha boca foi dirigido apenas a pequena sobrinha.
Entreguei a mangueira, entrei em casa e consegui finalmente acordar!