Todos os meses participo de um trabalho voluntário que entrega lanches para moradores de rua, além de levarmos um pouco de atenção a essas pessoas. A primeira ‘entrega’ (como chamamos) deste ano ocorreu no início de fevereiro.
A cada mês aprendo uma lição. Essa foi especial. Um morador de rua, sozinho, chamado Silas, tocou meu coração. O que ele queria era muito mais do que um lanche, do que uma palavra. Ele queria um trabalho. Em poucos minutos, contou sua história. Era confeiteiro, trabalhou em Campinas. Lá deixou um filho de 17 anos e sua mãe já idosa.
Como muitos, veio para São Paulo na esperança de um futuro melhor. Quem dera eu pudesse fazer mais coisas do que entregar um lanche e ouvir aquele que à minha frente chorava por trabalho.
No meio da conversa, disse que estava vindo da Igreja Nossa Senhora da Salete pedir emprego. E pediu: rezem por mim.
Existem imagens que os ouvidos não captam. Há sons que os olhos não conseguem ‘ver’. Pensando nisso, decidi criar este blog, escrever por puro prazer, para registrar minhas sensações e impressões; o que sinto com o que meus olhos vêem e com o que meus ouvidos captam. Espero que gostem!
segunda-feira, 29 de junho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Minutos que salvam
Curioso é que só me dei conta disso ao ver um assalto que nem pareceu real. Saindo de uma reunião no centro da cidade na noite de uma pacata terça-feira, ouço, ao lado de um grande amigo e ainda dentro do prédio de onde estávamos saindo, gritos de um homem. Apenas a frase ‘vou pegar a faca’ fica perceptível para mim. Na seqüência, vejo um garoto andando apressadamente juntar-se a um menino de bicicleta que estava próximo a outro que poderia ser apenas mais um pedestre.
O triste é saber que aqueles três formavam um grupo de assaltantes, que o senhor que gritava realmente tinha sido assaltado e que minha conversa e de meu amigo só voltou à normalidade minutos depois, quando nos demos conta do ocorrido, quando percebemos a impotência do ser humano (nós, no caso) em ajudar o próximo. O que faríamos ali?
Não sabíamos inicialmente se era o caso de um assalto. Além disso, não fazíamos idéia se havia arma nas mãos de algum deles. E o mais triste é que não encontramos nenhum policial na região para que pudéssemos pedir ajuda.
Naquele momento, percebemos que nossos anjos trabalharam muito porque, durante alguns minutos, diante da ausência do porteiro, meu amigo e eu tentamos descobrir uma maneira de sair do prédio. A mensagem de que deveríamos demorar um pouco mais chegou em cima da hora, mas foi suficiente.
O triste é saber que aqueles três formavam um grupo de assaltantes, que o senhor que gritava realmente tinha sido assaltado e que minha conversa e de meu amigo só voltou à normalidade minutos depois, quando nos demos conta do ocorrido, quando percebemos a impotência do ser humano (nós, no caso) em ajudar o próximo. O que faríamos ali?
Não sabíamos inicialmente se era o caso de um assalto. Além disso, não fazíamos idéia se havia arma nas mãos de algum deles. E o mais triste é que não encontramos nenhum policial na região para que pudéssemos pedir ajuda.
Naquele momento, percebemos que nossos anjos trabalharam muito porque, durante alguns minutos, diante da ausência do porteiro, meu amigo e eu tentamos descobrir uma maneira de sair do prédio. A mensagem de que deveríamos demorar um pouco mais chegou em cima da hora, mas foi suficiente.
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